Perfil Histórico da Coleção

Nossas imagens

Uma imagem é um importante documento. No caso da iconografia institucional, como é o caso que se apresenta nessa coleção da Cia. Docas de Santos, são registros das profundas transformações pelas quais passaram a região do estuário da cidade Santos ao longo da primeira metade do século XX.

Através desses registros que foram acumulados naturalmente ao longo do funcionamento dessa empresa, pode-se suscitar inúmeros novos questionamentos a respeito da centralidade que o porto e praça de Santos adquiriram na virada do século XIX para o XX, além da íntima relação que porto e cidade possuíam, apesar da instituição de um limite físico: os portões da Docas.

As imagens sugerem uma leitura da empresa e seu crescimento ao longo dos anos. A partir de 08 de novembro de 1890 a Companhia Docas de Santos obteve uma concessão do Governo Imperial para o aterro e construção de um Cais modernizado, tendo por prazo a concessão de 90 anos; após esse período, todos os melhoramentos seriam passados para a administração da União. O primeiro trecho de porto edificado pela CDS ocorreu em 1892, período em que atracou o navio de bandeira inglesa, Nasmyth. Em 1909 a Cia. Docas alcançava uma área que ia desde a São Paulo Railway, no Valongo a região dos Outeirinhos e depois de alguns anos até o Macuco. O porto, que antes eram algumas pontes de madeira que avançavam o mar, agora contava com guindastes hidráulicos e esteiras elétricas que facilitavam o embarque e o desembarque dos produtos.

As imagens também sugerem a existência de serviços auxiliares ao porto: para construção e expansão da murada ao longo do século XX, a Cia. Docas possuía uma pedreira no Jabaquara. As pedras eram transportadas por pequenas locomotivas que cortavam o bairro da Vila Mathias até a região da atual bacia do Mercado Municipal.

A hidrelétrica de Itatinga, que continua em funcionamento, aparece representada na coleção e indica uma íntima relação com as atividades da Cia. Docas. A crescente demanda do porto no início do século XX fez com que fosse criada uma represa e usina no ano de 1906, que consequentemente trouxe os primeiros pontos de energia elétrica à cidade de Santos. Uma vila operária foi criada no local com famílias de trabalhadores e hoje é um bairro do município de Bertioga.

As transformações do Cais passaram por um período de estagnação durante os períodos da I e II Guerra Mundial, mas voltaram as ampliações na década de 1930, com a construção da área para produtos inflamáveis na ilha Barnabé e na década de 1950 e 1960, com a implantação do polo industrial em Cubatão, sendo o porto de Santos o principal escoador dos materiais ali armazenados e produzidos. Passou por sua última fase de transformações na década de 1970 até o fim da concessão (1980), tendo sua murada alcançado toda a faixa do estuário santista.

Apesar de almejar uma leitura de si, a documentação iconográfica institucional adiciona às possíveis fontes para leitura da cidade no período novas perspectivas; além da relação da cidade e de seus trabalhadores, pode-se explorar o avanço da murada no estuário, os diferentes maquinários empregados, o estabelecimento de serviços auxiliares e até relações de sociabilidade dos gestores dessa empresa.


Localizacao

  • Endereco: Av. Conselheiro Rodrigues Alves
    S/N Macuco Santos / SP - Brasil
  • Email: museu@portodesantos.com.br
  • Website: www.portodesantos.com.br/museu
  • Telefone: +55(13)3202-6565